Silas Malafaia cancela culto da noite para Brasil x Noruega e reacende debate sobre prioridade da igreja
- 06/07/2026
- 0 Comentário(s)
Decisão da ADVEC na Copa de 2026 expõe divisão entre praticidade e tradição no meio evangélico brasileiro
Rio de Janeiro, 6 de julho de 2026 — No domingo, 5 de julho, enquanto a seleção brasileira entrava em campo contra a Noruega pelas oitavas de final da Copa do Mundo, a Associação Vitória em Cristo (ADVEC), liderada pelo pastor Silas Malafaia, tomou uma decisão que virou o assunto mais comentado do mundo gospel: cancelou o culto da noite e manteve apenas duas celebrações da Santa Ceia pela manhã, às 8h e às 10h45, com o aviso "LIBERADOS PARA A COPA".
O comunicado foi replicado por páginas de notícias gospel e regionais, que apontaram que a medida visava liberar os fiéis para assistir ao jogo da tarde. O post do Blog do BG, que viralizou com mais de 3 mil curtidas e 640 comentários, descreveu a mudança como parte de um movimento maior de igrejas adaptando a agenda dominical à Copa.
Não foi um caso isolado — e nem unânime
O cenário mostra três posturas diferentes no mesmo domingo:
Manter tudo: a Assembleia de Deus Ministério do Belém manteve os horários normais.
Remanejar: a Assembleia de Deus no Brás e a Renascer adiaram cultos para depois do jogo.
Cancelar a noite: foi a escolha da ADVEC de Malafaia, que concentrou as atividades na manhã.
A Rádio Cabugi Seridó e o FOCO NEWS RN registraram a mesma lista de igrejas, destacando que até paróquias católicas em Fortaleza ajustaram missas no mesmo dia.
Os argumentos de quem defendeu
O teólogo Ranieri Costa, citado em várias publicações, afirmou que não há mandamento bíblico sobre horário fixo de culto e que a mudança pode ser justificada por questões de saúde, segurança no trânsito e convivência familiar durante um evento nacional.
Nos comentários, fiéis repetiram esse ponto prático: "muita gente bebendo na rua, risco para quem volta do culto", e "não é pecado torcer, é comunhão". Para esse grupo, a fé não foi cancelada, apenas reorganizada.
Os argumentos de quem criticou
Do outro lado, o pastor Matheus Alves, da Igreja Lagoinha em Belo Horizonte, foi citado classificando a decisão como "fútil" e "superficial", por subordinar um momento de adoração a um jogo.
A página Vozes Esquecidas foi mais dura e acusou Malafaia — junto com o pastor José Wellington — de "vergonhosa inversão de valores", dizendo que "futebol é um jogo, a fé é o que nos salva".
Entre os fiéis críticos, frases como "UMA PROVA QUE DEUS NÃO É PRIORIDADE" e "a prioridade é Deus, o futebol fica em segundo plano" tiveram centenas de curtidas nos comentários.
Por que gerou tanto engajamento?
Cultura brasileira: a Copa paralisa o país, e igrejas historicamente negociam com essa realidade desde 1970.
Figura pública: Malafaia é um dos pastores mais conhecidos do Brasil, com histórico de unir discurso patriótico ("meu partido é o Brasil", estampado na camiseta amarela que usou no anúncio) e posicionamentos polêmicos.
Polarização teológica: o debate não é só sobre horário, é sobre o que significa "santificar o domingo" em 2026.
A repercussão nas redes ficou dividida quase meio a meio: parte relatando que sua igreja manteve o culto normal ("a minha não mudou nada"), parte defendendo a adaptação por logística, e parte acusando líderes de "usar o púlpito para agenda popular".
O que diz a ADVEC
Até a noite de segunda-feira, a igreja não publicou nota teológica além do comunicado prático de horários. A imagem oficial mostra Malafaia com microfone, sem críticas diretas a quem manteve os cultos — a mensagem foi de liberação, não de proibição.
Leitura imparcial
O caso Malafaia não cria uma nova doutrina, ele escancara uma tensão antiga no Brasil: a mesma nação que lota estádios no domingo também lota templos. Quando os dois encontros coincidem, cada comunidade decide entre três valores legítimos — constância litúrgica, cuidado pastoral (evitar deslocamentos em dia de festa nacional) e identidade cultural.
Não há consenso institucional entre as denominações, e a Bíblia não fixa horários. Por isso, a decisão da ADVEC foi recebida tanto como gesto de sensibilidade quanto como sinal de mundanismo — dependendo da lente de quem avalia.
Jotta Camargo ¦ JCN NEWS ¦ VoxElion Gospel
#Compartilhe







